Desenvolvimento cognitivo

 

            O suíço Jean Piaget, através de estudos efectuados com crianças, deu um grande contributo para o actual conhecimento acerca do desenvolvimento mental e cognitivo. Para este psicólogo o desenvolvimento cognitivo está dividido em quatro estágios. Estes estágios transformam-se uns nos outros através de um aumento na qualidade cognitiva, associando conceitos de nível elevado a outros conceitos elaborados previamente.

            Segundo Piaget, os quatros estágios do desenvolvimento cognitivo são sequenciais, pelo que uma criança só pode passar para o estágio seguinte quando já tiver experiência suficiente no estágio em que se encontra. Apesar de os estágios serem sequenciais, a idade em que cada estágio começa e acaba pode variar, existindo também zonas intermédias, onde se verificam características próprias de dois estágios “vizinhos”.

 

 

         Experiência Sensório-Motora (do nascimento aos dois anos)

        Nesta primeira fase, a criança começa a ter noção do seu corpo e do que a rodeia. Uma vez que a linguagem ainda não está desenvolvida o corpo torna-se de extrema importância para a comunicação, sendo então todo o desenvolvimento e aquisição de um esquema corporal imprescindível.

        A visão é nesta altura o sentido mais importante para a criança, pois tudo lhe prende a atenção. Assim sendo, a compreensão da permanência do objecto, isto é, o facto de a criança compreender que apesar de deixar de ver um determinado objecto este não deixa de existir, é uma das principais conquistas deste estágio.

 

        Estádio Pré-Operatório (dos dois anos aos cinco/seis anos)

        Neste estágio, o desenvolvimento do vocabulário e da linguagem é extremamente notável. Os adultos que usam a linguagem para comunicar com as crianças, têm um efeito marcante no seu desenvolvimento linguístico. Assim, podemos afirmar que, quanto mais rico for o meio verbal durante este período, mais provável será que a linguagem se desenvolva. A linguagem é muitas vezes treinada com o apoio de brincadeiras fictícias e amigos imaginários.

        Nota-se também neste estágio um predomínio do pensamento egocêntrico e irreversível, em que apenas o ponto de vista e perspectiva da criança é que está correcta.

 

      Estádio Operatório Concreto (dos seis anos aos onze/doze anos)

        Ao abandonarem sem reservas o seu pensamento mágico, fantasias, e amigos imaginários, as crianças tornam-se quase que exageradamente concretas e a sua capacidade de compreender o mundo é agora tão lógica quanto anteriormente era ilógica.

        É neste período que as crianças se deliciam a fazer as suas piadas, pois comparado com o período anterior em que simples expressões com palavras que para elas eram novas eram consideradas hilariantes, o humor do estádio concreto é mais sofisticado, se não mesmo mais atraente até do ponto de vista dos adultos.

 

        Estádio Operatório Formal (a partir dos doze anos)

        A transição para o estádio das operações formais é bastante evidentes dadas as notáveis diferenças que surgem nas características do pensamento. É no estádio operatório formal que a criança realiza raciocínios abstractos, não recorrendo ao contacto com a realidade. A criança deixa o domínio do concreto para passar às representações abstractas.

        É nesta fase que a criança desenvolve a sua própria identidade, podendo haver, neste período problemas existenciais e dúvidas entre o certo e o errado. A criança manifesta outros interesses e ideais que defende segundo os seus próprios valores e naquilo que acredita.

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